Dois gols, controle emocional e eficiência nos momentos-chave. Foi assim que o Manchester City venceu o Nottingham Forest por 2 a 0, em Wembley, e assegurou vaga na decisão da FA Cup de 2025. Rico Lewis marcou logo aos 2 minutos e Josko Gvardiol ampliou aos 55, em mais uma jogada de escanteio que saiu do treino direto para a rede. O resultado mantém viva a chance do time de Pep Guardiola evitar uma temporada sem títulos.
O jogo mal tinha começado quando o jovem Rico Lewis, formado na base do clube, apareceu como veterano. Mateo Kovacic encontrou um passe limpo entre as linhas, Lewis dominou de primeira e bateu rasteiro no canto. O gol cedo deixou o City confortável para ditar o ritmo e esfriar o ímpeto do Forest, que sentiu o golpe e levou alguns minutos para se reorganizar.
Sem se expor, o City valorizou a posse e travou o jogo no meio-campo. A linha defensiva, liderada pelo capitão Kyle Walker, impediu que o Forest explorasse profundidade. Do outro lado, o goleiro Wayne Hennessey segurou o placar com intervenções seguras, evitando que a vantagem ficasse maior ainda no primeiro tempo.
Na volta do intervalo, o Forest mexeu bem e ganhou velocidade com Anthony Elanga. A mudança quase rendeu o empate: Callum Hudson-Odoi cruzou na medida, Elanga se antecipou, mas pegou mal na bola cara a cara e desperdiçou a melhor chance dos vermelhos. Cinco minutos depois, o City puniu a falha com precisão clínica.
O 2 a 0 nasceu da bola parada, um recurso cada vez mais valioso nas partidas grandes. Cobrando escanteio com curva na primeira trave, a equipe criou o bloqueio perfeito para liberar Josko Gvardiol, que testou firme e deslocou Hennessey. A execução lembrou o City pragmático que aparece quando o jogo pede menos firula e mais contundência.
A partir daí, o Forest foi ao tudo ou nada. Morgan Gibbs-White acertou a trave numa finalização que levantou a torcida, e o centroavante Taiwo Awoniyi também carimbou o poste na reta final. Ederson manteve a meta inviolada com bom posicionamento, enquanto Walker comandou a defesa para cortar cruzamentos e segundas bolas.
Guardiola, dessa vez, preferiu segurança à pressa. Sem abrir mão de ficar com a bola, o City reduziu o ritmo e fez o relógio trabalhar a seu favor. Kovacic foi o metrônomo no meio, dando a cadência e a primeira saída limpa. Na frente, a movimentação constante abriu espaços para chegadas de trás, como a de Gvardiol no escanteio decisivo.
Do lado do Forest, a ideia ficou clara: acelerar pelos lados com Hudson-Odoi e Elanga, atacar o espaço nas costas da zaga e insistir em cruzamentos para Awoniyi. A estratégia funcionou em parte, gerou ocasiões, mas esbarrou em detalhes. Faltou o toque final — o City teve o que todo time grande precisa em Wembley: frieza.
Individualmente, Rico Lewis foi o nome do primeiro tempo, combinando leitura de jogo e oportunismo. Gvardiol, além do gol, foi firme nas disputas aéreas. Hennessey evitou que o placar virasse goleada, e Gibbs-White foi o motor da tentativa de reação do Forest, sustentando a equipe no campo de ataque quando o City baixou as linhas.
Com a vitória, o City soma seu sétimo triunfo seguido em semifinais da Copa da Inglaterra — uma sequência que explica a familiaridade do clube com Wembley. Mais do que estatística, é uma marca de como o time de Guardiola costuma se ajustar em jogos eliminatórios domésticos, mesmo quando a temporada pede resiliência extra.
O contexto também pesa: sem chances no Campeonato Inglês e fora da Liga dos Campeões, a Copa virou o último fio de ouro do ano. Em partidas assim, cada detalhe conta. O gol no início, a resposta ao susto com Elanga e o acerto na bola parada formaram a escada para a classificação.
O adversário do City na decisão será o Crystal Palace, que passou pelo Aston Villa com um 3 a 0 convincente na outra semifinal. O encontro está marcado para 17 de maio, novamente em Wembley. O time de Roy Hodgson chega confiante, com transições rápidas e boa presença aérea — um teste direto para a defesa que Walker blindou tão bem neste sábado.
Para o Nottingham Forest, a campanha termina na semifinal, mas não sem sinais positivos. A postura do segundo tempo e as chances criadas mostram que a equipe competiu até o fim. Faltou capricho no último toque e talvez um pouco mais de calma na construção quando o City baixou o bloco. Ainda assim, a atuação de Hennessey e a mobilidade de Gibbs-White e Elanga deixam alguma base para o que vem pela frente.
O City, por sua vez, sai com lições úteis para a final. O equilíbrio entre posse e verticalidade funcionou, a bola parada fez diferença e a defesa respondeu sob pressão. Em Wembley, essas virtudes quase sempre separam quem levanta a taça de quem volta para casa pensando no que faltou.