Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 32% em nova pesquisa Quaest para 2026

Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 32% em nova pesquisa Quaest para 2026
abril 25 2026 Thalyta Selvatici Machado

O cenário para a sucessão presidencial de 2026 começou a ganhar contornos mais definidos, mas a polarização continua a ditar o ritmo. Segundo a nova rodada da Quaest, divulgada em 15 de abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil e membro do PT, lidera as intenções de voto com 37% no primeiro turno. Logo atrás, com 32%, aparece o senador Flávio Bolsonaro, Senador do PL-RJ.

A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 10 e 13 de abril de 2026, ouvindo 2.004 pessoas em todo o Brasil. Com uma margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os números mostram que, apesar da liderança nominal de Lula, a disputa está apertadíssima. Na verdade, em cinco dos sete cenários testados, os dois principais nomes estão tecnicamente empatados. Aqui está a coisa: a vantagem de Lula só aparece de forma clara quando nomes como Ratinho Junior ou Ronaldo Caiado entram na disputa pelo PSD.

Cenário fragmentado e a entrada de novos nomes

O que chama a atenção nesta rodada é a tentativa de ampliar o espectro político. A Quaest, em parceria com a Genial, decidiu testar nove pré-candidatos, trazendo figuras que fogem do eixo central da política tradicional. Pela primeira vez em 2026, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) foi colocado como o único representante de sua legenda, tentando medir se a estratégia de unificação do partido surte efeito.

Mas não parou por aí. O levantamento incluiu nomes curiosos e ideologicamente diversos para sentir a temperatura do eleitorado, como:

  • Cabo Daciolo (Mobiliza)
  • Augusto Cury (Avante)
  • Samara Martins (UP)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Renan Santos (Missão)
  • Aldo Rebelo (Democracia Cristã)

Essa diversificação serve para entender se existe espaço para uma "terceira via" ou se o país continua irremediavelmente preso ao duelo entre o petismo e o bolsonarismo. Interessantemente, 11% dos entrevistados ainda não decidiram seu caminho, optando por voto branco, nulo ou simplesmente declarando que não pretendem votar (o que, em eleições apertadas, pode ser o fiel da balança).

Além do voto: economia, STF e a sombra de Trump

A pesquisa não quis saber apenas de números eleitorais; ela mergulhou no sentimento do brasileiro. O questionário abordou temas espinhosos, como a avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF) e a percepção sobre o endividamento das famílias, que continua sendo um gargalo social.

Um ponto inusitado foi a análise das relações internacionais. A Quaest mediu como a população reagiu às críticas do presidente norte-americano Donald Trump ao sistema PIX. Parece estranho que um líder estrangeiro comente sobre um sistema de pagamentos local, mas a polarização global acaba refletindo no humor do eleitor aqui dentro.

Além disso, o levantamento monitorou a ascensão das apostas esportivas (as famosas "bets"), que se tornaram um fenômeno cultural e econômico, e o impacto do preço dos combustíveis no orçamento doméstico. Esses dados são fundamentais para que os partidos ajustem seus discursos de campanha.

Análise do impacto e a tendência de queda

Para quem acompanha a política, o dado mais preocupante para o governo é a tendência. Esta terceira pesquisa da Quaest em 2026 serviu como um termômetro para verificar se a aprovação de Lula continuaria caindo, conforme observado em sondagens anteriores do instituto. A trajetória de crescimento de Flávio Bolsonaro, por outro lado, indica que a base da direita conseguiu se organizar em torno de um herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou que, até 17 de abril de 2026, pelo menos 43 levantamentos deveriam ser divulgados. A Quaest dividiu a cena com a Futura/Apex 100% Cidades e a MDA, mas a profundidade dos cenários estimulados pela Quaest oferece uma visão mais detalhada sobre a rejeição e a possibilidade de mudança de voto.

O que esperar dos próximos meses

A corrida para outubro de 2026 está longe de terminar, mas a dinâmica de "empate técnico" sugere que qualquer deslize econômico ou escândalo político pode inverter a liderança. O foco agora deve se voltar para a consolidação das candidaturas nos partidos, especialmente no PSD, onde a disputa interna pode fragilizar ou fortalecer a chapa.

Os analistas sugerem que a chave da eleição estará na capacidade de Lula estancar a queda de sua aprovação e na habilidade de Flávio Bolsonaro expandir seu eleitorado para além do núcleo duro da direita. (Resta saber se as novas candidaturas, como a de Augusto Cury, conseguirão tirar migalhas de votos dos gigantes ou se serão apenas figurantes no processo).

Perguntas Frequentes

Quem está liderando a corrida presidencial segundo a Quaest?

Lula lidera com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 32%. No entanto, devido à margem de erro de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados em cinco dos sete cenários testados pela pesquisa.

Qual a importância da inclusão de Ronaldo Caiado nesta pesquisa?

Caiado apareceu como o único pré-candidato do PSD, o que altera a dinâmica do primeiro turno. A pesquisa revelou que Lula lidera fora da margem de erro especificamente nos cenários onde Caiado ou Ratinho Junior representam a legenda, indicando que a fragmentação da direita beneficia o governo.

Quais outros temas foram avaliados além das intenções de voto?

O instituto analisou a aprovação do governo, a situação econômica, o endividamento das famílias, a avaliação do STF, o impacto dos combustíveis, o uso de apostas esportivas (bets) e até a reação do brasileiro às críticas de Donald Trump sobre o PIX.

Quantas pessoas foram entrevistadas e qual a precisão dos dados?

Foram entrevistadas 2.004 pessoas em todo o território nacional entre 10 e 13 de abril de 2026. O estudo possui um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

O que significa o 'empate técnico' mencionado no relatório?

O empate técnico ocorre quando a diferença entre dois candidatos é menor ou igual à margem de erro da pesquisa (neste caso, 2%). Isso significa que, estatisticamente, não se pode afirmar com certeza quem está à frente, pois a diferença pode ser fruto de oscilações amostrais.